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12 de Novembro de 2018

Por que crianças precisam cochilar?

Quando sua filha estava na pré-escola, Rebecca Spencer passou por algo comum a muitos pais, mães ou babás: o poder do cochilo. Sem ele, sua filha ficava cambaleante, mal-humorada ou ambos. Spencer, neurocientista especializada em sono da Universidade de Massachusetts Amherst, quis investigar a ciência por trás desta experiência pessoal. "A observação de várias pessoas é que uma criança que não cochila fica emocionalmente desregulada", ela disse. "O que nos levou a questionar: `o cochilo tem alguma função no processamento de emoções?`".

Pesquisas já mostraram que, em geral, o sono nos ajuda a processar as emoções. Dormir tem um papel importante em decodificar informações baseadas nas experiências do dia, portanto, o sono é fundamental para preservar as memórias. E as memórias emocionais são únicas pela forma como ativam a amígdala, o centro emocional do cérebro. O sono contribui com a cristalização da informação emocional - e com o controle de como ela nos faz sentir. E esse efeito funciona rapidamente.

Mas nem todo sono é igual.

O sono REM – ou do "movimento rápido dos olhos" – está associado a memórias emocionais. Quanto mais sono REM, melhor é a capacidade das pessoas de avaliar as intenções emocionais dos outros e de lembrar histórias emotivas.

O papel dos sonhos

O processo tem sido alvo de investigação pela pesquisadora pioneira em sono Rosalind Cartwright, cuja teoria é de que, durante os sonhos, as experiências angustiantes da vida real são integradas a memórias semelhantes. Assim, os sonhadores são mais capazes de contextualizar novas memórias dolorosas contra outras já estabelecidas, conseguindo remover com mais facilidade o tormento associado a elas.

Os cochilos consistem principalmente de sono não-REM, incluindo os cochilos longos. E um artigo recente com coautoria de Spencer parece ser o primeiro a mostrar que o cochilo, e não apenas uma noite de sono, contribui para o processamento da memória emotiva em crianças. Sem um cochilo, as crianças tenderam a optar pelos emojis mais emotivos no experimento. Já com o cochilo, elas se mostraram mais tranquilas e responderam de forma mais equilibrada tanto para estímulos neutros quanto para aqueles que despertariam mais emoções. De maneira geral, "as crianças ficaram de fato mais emotivas e hipersensíveis a estímulos sem o cochilo", afirma a pesquisadora. Isso porque elas não consolidaram sua bagagem emocional prévia.

Curiosamente, adultos mais velhos mostram uma tendência mais positiva em relação às memórias enquanto os mais jovens tendem ao lado negativo. Isso deve ocorrer porque focar em experiências negativas é uma forma de aprendizado para crianças e adolescentes: dos perigos do fogo aos riscos de aceitar uma bebida de um estranho. Porém, quando envelhecem, as pessoas priorizam as memórias positivas. Elas também têm menos sono REM - que costuma consolidar as memórias negativas, especialmente em pessoas com depressão.

Fonte: g1.globo.com/bemestar

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