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24 de Setembro de 2018

É mais saudável usar toalhas de papel ou jatos de ar para secar as mãos?

Uma boa higiene das mãos é crucial no controle da propagação de infecções. É por isso que há diversas recomendações sobre quando e como lavá-las. É indicado, por exemplo, que façamos isso sempre que chegamos da rua, depois de usar o banheiro, antes de comer, cozinhar ou de nos aproximarmos de um bebê ou alguém doente. Menos atenção é dada, no entanto, à importância de secá-las da maneira correta. Após lavar bem as mãos com água e sabão, ninguém quer sujá-las novamente com uma toalha úmida e malcheirosa, que sabe-se lá há quanto tempo está pendurada.

É por isso que muitos banheiros públicos oferecem toalhas de papel descartáveis ou secadores automáticos a jatos de ar, conhecidos como "mais higiênicos e sustentáveis". Mas, de acordo com pesquisas realizadas no Reino Unido, França e Itália, os secadores a jato de ar são basicamente "canhões de bactérias". Isso acontece porque as pessoas, em geral, não lavam as mãos adequadamente e, ao secá-las com os poderosos jatos de ar, espalham bactérias residuais. "Na verdade, o secador vira um aerossol que contamina o banheiro, incluindo o próprio secador e, potencialmente, a pia, o chão e outras superfícies, dependendo do design do dispositivo e de onde está localizado", explicou Mark Wilcox, professor de microbiologia da Universidade de Leeds.

Sendo assim, é muito provável que você esteja entrando em banheiros cheios de micróbios de outras pessoas. A equipe do professor Wilcox e seus colegas já haviam realizado testes de laboratório para estudar o tema. Mas, agora, fizeram uma pesquisa no mundo real para entender particularmente como diferentes métodos de secagem podem afetar a propagação bacteriana em banheiros de hospitais.

Cem vezes mais bactérias - A pesquisa foi realizada em hospitais de Leeds, Paris e Udine, durante um período de 12 semanas. A diferença mais acentuada foi identificada entre a superfície do secador e do dispenser de papel toalha. Em Udine, o secador tinha 100 vezes mais bactérias, em Paris 33 vezes mais e em Leeds, 22. A particularmente virulenta estirpe bacteriana Staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM) era três vezes mais predominante nos banheiros de hospitais no Reino Unido durante os períodos em que foram utilizados os secadores de ar. Bactérias resistentes à penicilina e a outros antibióticos - e, portanto, difíceis de tratar - foram encontradas com mais frequência também.

Diante dos resultados, a equipe de Wilcox declarou em artigo publicado na revista especializada Journal of Hospital Infection que há pouca justificativa para o uso de secadores a jato de ar em banheiros públicos - ainda mais em ambientes hospitalares, dados os riscos. Por outro lado, "as toalhas de papel absorvem a água e os micróbios que permanecem nas mãos e, se descartadas corretamente, têm menos potencial para contaminação", acrescentam. "As diretrizes de controle de infecção existentes devem ser alteradas e fortalecidas nesse sentido", recomenda o texto. 

Fonte: g1.globo.com/ciencia-e-saude

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