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28 de Agosto de 2018

Tudo é virose?

Uma das frases mais ouvidas nos consultórios médicos –  especialmente pediátricos – quando as mães perguntam sobre as causas de uma febre ou problema, é que tudo provavelmente não passa de uma virose.  Talvez uma frase que acalma e deixa tudo mais tranquilo para uma família angustiada, mas é frustrante porque não explica nada. Muitos pais acham que quando o médico não tem certeza de nada, diz que é uma virose. 

Muitas vezes o processo é verdadeiro; outras vezes é realmente um problema simples que pode ser causado por um vírus. Realmente existem centenas e centenas de vírus que podem ocasionar um sem número de sinais e sintomas: febre, mal estar, náuseas, vômitos, diarreias, problemas respiratórios, lesões na pele, nas mucosas, problemas cardíacos ou renais e até meningites. Mas também podem ser totalmente assintomáticos. O grande problema é que uma afecção viral pode ser benigna ou ser muito complexa, causando problemas a curto, médio e longo prazo.

Se por um lado, uma virose respiratória pode ser determinada como um simples resfriado, uma coriza, também pode levar a uma pneumonia de difícil evolução. Uma irritação na faringe pode ser também um pródromo (sinais que aparecem antes de uma doença) de uma virose complexa como o sarampo e a varicela (catapora), que, apesar de controladas pelas vacinas, ainda podem aparecer em algumas regiões. E os sintomas podem ser muito intensos como febre extremamente elevada, péssimo estado geral e possíveis complicações.

Bacterianas ou virais? Algumas condições pediátricas são separadas pela intensidade, como bacterianas ou virais. Por exemplo, é de comum acordo na população médica e leiga que febres baixas são usualmente causadas por infecções virais, enquanto febres mais elevadas seriam causadas por processos bacterianos. Nada mais inadequado. Quem já presenciou a febre extremamente elevada de um sarampo, não se esquecerá que temperaturas podem chegar a 40º ou 41º Celsius. E que muitas infecções bacterianas, especialmente em crianças pequenas podem cursar com temperaturas baixas e algumas vezes até com hipotermia.

Hoje dispomos de exames laboratoriais que permitem avaliar a presença de vírus ou bactérias, tanto no sangue como em secreções. O objetivo é verificar se há ou não necessidade de antibiótico, qual e por quanto tempo.

No entanto, na maior parte das vezes, especialmente em pronto-socorros ou consultórios, por sua experiência clínica, um bom exame e história, o médico poderá descartar inicialmente um quadro mais complexo ou simples, e determinar se realmente se trata de uma virose ou uma infecção mais grave. Quando necessário, pedirá retorno, observação mais intensa, exames de laboratório e outros métodos para o diagnóstico.

Fonte: veja.abril.com.br

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