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23 de Agosto de 2018

Como o cigarro vicia

A receita básica é simples: monóxido de carbono, alcatrão, acetona, nicotina e até veneno de rato . A mistura que compõe o cigarro acalma, traz uma leve sensação de prazer, mas mata 156 mil brasileiros todos os anos, de acordo com a Fiocruz. Embora mais do que o dobro de homens fumem em relação às mulheres, são elas as vítimas do futuro: além de tragarem cada vez mais, a vulnerabilidade da mulher é maior para uma doença pulmonar que não para de crescer, a DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica).

Como o cigarro vicia? O cigarro não causa alucinações, mas é uma droga psicoativa, explica o presidente da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo), José Francisco Kerr Saraiva. "A nicotina é uma droga proveniente da planta do tabaco que, quando inalada, produz efeito psicoativos. Chega ao cérebro entre sete e 19 segundos, fazendo com que o organismo, com o tempo, acostume-se a recebe-la frequentemente", diz o cardiologista. Por isso a "falsa sensação de prazer".

Mulheres na mira - Os homens ainda morrem mais por causa dos males provocados pelo tabaco, mas as mulheres nunca fumaram tanto. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileira de Geografia e Estatística), já são quase 10 milhões de fumantes do sexo feminino. Devido ao cigarro, quatro em cada dez mulheres morrem antes de completar 65 anos. Um estudo publicado este mês pela revista "Cancer Research" sugere que elas terão 43% maior probabilidade de morrer por câncer de pulmão do que de mama até 2030. Nos Estados Unidos, o câncer de pulmão já é a principal causa de morte por tumores em mulheres.

Sintomas - Os pacientes hospitalizados com crises de DPOC têm mais chances de sofrerem infarto ou AVC (acidente vascular cerebral). A recomendação médica é procurar um pneumologista se o fumante sentir falta de ar ao subir escadas, correr ou andar em ritmo acelerado. A má notícia é que não há cura para a doença.  O melhor conselho ainda é o de sempre: parar de fumar. Os benefícios à saúde começam apenas 20 minutos após interromper o vício: a pressão arterial volta ao normal e a frequência do pulso cai aos níveis adequados, assim como a temperatura das mãos e dos pés, informa o Centro Paulista de Oncologia. Em 8 horas, os níveis de monóxido de carbono no sangue são regulados e o de oxigênio aumenta. A pessoa também ganha disposição para atividades físicas. Em cinco anos, a taxa de mortalidade por câncer de pulmão de uma pessoa que fumou um maço de cigarros por dia diminui em pelo menos 50%. Quinze anos após deixar de fumar, os riscos de desenvolver câncer de pulmão se tornam praticamente iguais aos de uma pessoa que nunca fumou. "Embora a fabricação e venda de cigarros seja legal e liberada, a decisão entre comprar ou resistir ao vício é do consumidor", lembra Kerr Saraiva, presidente da Socesp.

Se as pessoas não passarem a se conscientizar, em 2030 o cigarro matará diretamente oito milhões de indivíduos em todo o planeta.

Fonte: jornalfloripa.com.br

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